Livro: 1984

E meu primeiro livro da maratona foi lido! 1984, escolhido para completar o desafio “Um livro que já virou ou vai virar uma adaptação cinematográfica”, teve filmes produzidos em 1956, 1984 e, aparentemente terá uma nova adaptação em 2018, além de ter tido uma adaptação televisiva pela BBC em 1954.

Para começar, gostaria de deixar claro meu amor pelo livro. 1984 é uma distopia completamente diferente de qualquer outra já escrita. Para aqueles que já leram séries distópicas como “Jogos Vorazes”, “Divergente”, “Feios” e “Seleção”, “1984” passa a ser uma leitura quase que obrigatória.

O livro se passa no futuro distópico de 1984 (para nós, já se tornou passado, mas para a época o livro se passava no futuro, já que foi escrito em 1948 e publicado em 1949), em que o mundo foi dividido em três superestados: Eurásia, Oceania e Lestásia, que estão em permanente guerra.

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Mundo dividido de acordo com o livro

É neste contexto que conhecemos o personagem Winton Smith, que vive na Pista nº 1, antiga Inglaterra. O superestado da Oceania é comandado por um partido chamado Ingsoc, representado pelo Grande Irmão, o líder que controla toda a população, através de teletelas (uma espécie de dispositivo interativo que vigia as pessoas e as mantem informadas, funcionando como uma televisão e uma câmera ao mesmo tempo) e dos Ministérios da Verdade, do Amor, da Fartura e da Paz.

O Partido prega a supressão de emoções, sendo admitidos apenas o ódio pelo inimigo, o gozo pelas vitórias e a humilhação diante do poder e da sabedoria do Grande Irmão. Através disso, vai-se criando um mundo em que os conceitos de família e amizade são destruídos, devendo a vida de cada pessoa ser dedicada para contribuir com o governo e admirá-lo. Relações sexuais entre homens e mulheres são aceitas restritamente para procriação, não devendo haver nenhum tipo de atração entre ambos. As crianças são criadas desde pequenas para servir ao Partido, entrando em instituições como os Espiões, onde são treinadas para identificar e delatar qualquer um que o traia, inclusive os próprios parentes. As amizades não são incentivadas, apesar de qualquer prática de atividades individuais são suspeitas, sendo quase obrigatória a presença de todos no Centro Comunal, onde participam de recreações em grupos. O único grupo que não é afetado por essas regras é o da prole, constituído por pessoas pobres que não representam uma real ameaça para o partido.

Acontecimentos que ocorreram no passado são constantemente reescritos para concordarem com os do presente, fazendo com que o Partido pareça sempre estar certo (por exemplo, se hoje a Oceania tem a Eurásia como aliada e a Lestásia como inimiga, mas no dia seguinte a situação se inverte, fazendo da Lestásia a aliada da Oceania e a Eurásia a inimiga, todas as fontes de informação, sejam elas jornais, revistas, livros, fotografias e etc., são modificadas, fazendo com que pareça que a Oceania sempre esteve contra a Eurásia e a favor da Lestásia. Esse recurso é usado quantas vezes for necessário, sendo destruídas todas as provas que evidenciam o contrário), pois qualquer discordância representaria uma fraqueza ou erro do Partido, algo intolerável. Assim, aquilo que antes era mentira, passa a ser acreditado por todos, tornando-se História e, por isso, uma verdade incontestável.

“Quem controla o passado”, dizia o lema do Partido, “controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”. 1984, pág. 36

Além disso, tem-se ainda a criação de um novo idioma, a Novilíngua. Durante a história, está sendo escrita a Décima Primeira Edição do dicionário da Novilíngua, em que os autores estão reformando a língua antiga, destruindo palavras e reduzindo a língua à expressão mais simples, acabando com sinônimos, antônimos, superlativos, etc. e tornando algumas palavras ambíguas, de forma que pudessem servir de elogio quando usadas para se referir ao Partido e como censura quando usada para falar do inimigo. O objetivo da Novilíngua é diminuir a gama do pensamento, tornando-se impossível ir contra o Partido, pois não haveria palavras para expressar o por quê de tal revolta.

“Haveria muitos crimes e erros que estariam além da capacidade do homem de cometê-los, simplesmente pelo fato de que eles não tinham nomes e, portanto, eram inimagináveis.” 1984, pág. 299.

Aqueles que, apesar de todos os artifícios do Partido, ousarem pensar diferente ou demonstrar qualquer insatisfação, são vaporizados, sumindo repentinamente, tendo fotos, trabalhos ou quaisquer registros ligados a eles apagados.

Algo que achei extremamente interessante foi a ligação entre 1984 e Jogos Vorazes. Em determinado momento, o personagem principal se depara com um tordo, que começa a cantar por um longo período, deixando-o extasiado.

“Um tordo pousara num ramo, a menos de cinco metros de distância. (…) Estirou as asas, tornou a fechá-las cuidadosamente, inclinou a cabeça por um instante e desencadeou uma torrente sonora. (…) A música continuou, minuto após minuto, com assombrosas variações, sem nunca se repetir, quase como se o pássaro estivesse a exibir, de propósito, o seu virtuosismo. (…) Para quem, para o quê, estaria o tordo cantando? Não havia nem companheira nem rival à vista. Que é que o fazia pousar num campo deserto, soltar sua música no vazio?” 1984, pág. 120

            Em alguns momentos posteriores, Winston retoma a lembrança do canto do tordo, associando a música apenas àqueles que são livres. Suzanne Collins já admitiu em uma entrevista a revista Times que 1984 foi uma de suas influências na hora de escrever a trilogia Jogos Vorazes. Talvez por essa associação do pássaro à liberdade e por saber de tal influência, tenha-se traduzido Mockingjay para Tordo nos livros em português.

            O livro, por esses e inúmeros outros motivos, principalmente por ser um livro atemporal, que assustadoramente conseguiu prever algumas coisas que ocorrem atualmente, é um livro que deve ser lido com calma, para poder absorver e interpretar todos os conceitos apresentados.

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