Livro: Toda Luz que não podemos ver

“Abram os olhos”, conclui o homem, “e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre”. Toda luz que não podemos ver pág. 56.

Antes de começar a resenha, quero que você, leitor, coloque essa música abaixo para tocar e a escute enquanto lê o texto abaixo. Tal ação é de extrema importância, tão importante quanto essa música é para a história do livro.

““Clair de Lune”, uma música que a faz pensar em folhas esvoaçando e em faixas de areia endurecida por baixo dos pés na maré baixa.” Toda luz que não podemos ver, pág. 326.

“Toda luz que não podemos ver” é o livro vencedor do prêmio Pulitzer de ficção de 2015, escrito pelo autor Anthony Doerr, e que será adaptado para os cinemas em breve. Ele é narrado em terceira pessoa e conta, através do ponto de vista de alguns personagens, mas, principalmente de Marie-Laure, Werner e Von Rumpel, os acontecimentos decorridos durante a Segunda Guerra Mundial.

Diferente da maioria dos livros que falam sobre esse acontecimento histórico, o livro não conta a história de um judeu que tenta sobreviver enquanto a guerra persiste em continuar, mas sim de uma garota francesa e de um menino e um general alemães.

Marie-Laure vive em Paris com seu pai, Daniel LeBlanc, chaveiro-chefe do Museu de História Natural. Ele é uma garota ruiva, alta e com sardas que cobrem todo o seu rosto. Marie-Laure passa seus dias com seu pai ou com outros funcionários do Museu, principalmente o Dr. Geffard, que a mostra diversas espécies de búzios, caramujos e conchas que o museu tem arquivado em seu laboratório. Aos seis anos, após ser diagnosticada com catarata congênita bilateral, Marie-Laure fica cega. Porém, com a ajuda de seu pai, ela descobre as ruas de Paris (através de uma maquete da cidade feita por ele) e o mundo – por meio dos livros em braile que ganha de presente nos seus aniversários.

Werner Pfennig vive em Zollverein, na Alemanha. Ele, junto com sua irmã mais nova, Jutta, vivem na Casa das Crianças, um orfanato de dois andares, para onde foram levados após a morte do pai nas minas de carvão. Werner é baixo, possui orelhas de abano e um cabelo alvo como a neve. Ele gosta de fazer perguntas inteligentes, como “Por que ficamos com soluço?” ou “Uma abelha sabe que vai morrer se picar alguém?”, para Frau Elena, diretora do orfanato. Após achar um rádio quebrado nos descartes atrás de um galpão, que ele logo conserta, Werner e Jutta começam a ouvir as transmissões de um francês que fala sobre ilusões óticas, eletromagnetismos, etc. em diversas aulas que são conduzidas pelas ondas do rádio até a Casa das Crianças em noites alternadas, sempre por volta da hora de dormir. Com o passar do tempo, Werner vai desenvolvendo cada vez mais suas habilidades em mecânica através de consertos de rádio realizados pela vizinhança, que são pagos através de dinheiro, comida ou até mesmo afeto.

Já Von Rumpel é um sargento-mor e gemologista com cerca de 40 anos que, enquanto trabalha para o exercito de Hitler, procura desesperadamente por uma pedra chamada Mar de Chamas, que possui uma história sombria incrustrada em si, uma maldição:

“A maldição era a seguinte: o portador da pedra viveria para sempre, mas, enquanto a mantivesse, infortúnios cairiam sobre todos aqueles que ele amava, como uma tempestade sem fim.” Toda luz que não podemos ver, pág. 29

É com a habilidade de Werner em mecânica e com as ligações que Marie-Laure possui com o Museu que os caminhos dos dois se cruzam, em meio aos escombros da guerra. Essa união talvez seja capaz de salvá-los da ambição de Von Rumpel.

O livro se passa entre 1934 e 2014, e vai intercalando a história entre o que está acontecendo na vida das duas crianças e do gemologista a partir da década de 30 e passagens de agosto de 1944, em Saint-Malo, onde os personagens se encontram. No decorrer do livro, nós vamos descobrindo o que ocorreu em suas vidas que os levou até aquele momento.

Além dos personagens já apresentados, nos deparamos com outros como Etienne, tio-avô de Marie-Laure, que participou da primeira guerra e ainda é assombrado pelo que aconteceu nela; madame Manec, mulher forte e ativa que, além de cuidar de Etienne, ajuda a todos que encontra em seu caminho; Frederick, amigo de Werner que ama observar e estudar os pássaros; dr. Hauptmann, que desenvolve as habilidades de Werner durantes noites exaustivas em seu laboratório; e Volkheimer, um aluno forte e mais velho que auxilia Werner e dr. Hauptmann em seus experimentos.

O livro é uma linda história que nos faz pensar em várias questões como “vale a pena arriscar sua própria vida para garantir a seguranças dos outros?”, “é certo fazer algo errado só porque todas as outras pessoas estão fazendo?”, dentre outras. Eu gostaria de falar mais e mais sobre este livro, mas creio que seja importante preservar a história, para que ela possa ser descoberta por vocês ao longo da leitura. O livro possui capítulos curtíssimos (de no máximo três páginas, sendo a maioria composta por duas páginas), que faz a leitura das mais de 500 páginas fluírem rapidamente.

Anúncios

4 comentários sobre “Livro: Toda Luz que não podemos ver

  1. Não costumo dar muita atenção para livros que a crítica presta elogios, mas depois desta bela resenha terei que rever meus conceitos radicalmente.
    Um primor de resenha, diga-se de passagem.
    Parabéns e um beijo enorme.
    Alex

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s