Livro: Filhos do Éden – Paraíso Perdido

“Quero que se lembre da primeira vez em que enxergamos este planeta, e que o víamos como um santuário sagrado. Tudo o que diz respeito a ele nos é precioso. Cada grão de areia, cada gota no mar, cada lufada de vento, cada montanha, lago, floresta, rio ou oceano. Preservar o Éden e aqueles que o habitam: esse é o nosso trabalho, o ofício dos sentinelas (…)”. Filhos do Éden: Paraíso Perdido.

Filhos do Éden: Paraíso Perdido foi lançado no segundo semestre de 2015, pelo autor brasileiro Eduardo Spohr. O livro completa o ciclo que começou com o livro “A Batalha do Apocalipse”, publicado inicialmente em 2007 pelo site Jovem Nerd, sendo em seguida lançado pela editora Verus em 2010.

Paraíso Perdido é o terceiro livro da trilogia Filhos do Éden e vai continuar a história de Kaira, Urakin, Ismael e Denyel, além de introduzir outros personagens ao longo da série. Depois de muito tempo procurando Denyel, Kaira e Urakin finalmente o encontram. Porém, os anjos se deparam com um impasse: Denyel finalmente encontrou um lugar onde se sente bem, o que faz com que ele não queria mais voltar a trabalhar para os arcanjos. Além de precisar convencê-lo a voltar, Kaira e Urakin ainda precisam completar a tarefa dada pelo arcanjo Gabriel, que consistem em destruir Metraton, o Primeiro Anjo, líder supremo dos sentinelas.

O livro é narrado em terceira pessoa, assim como todos os outros, sendo dividido em três partes, cada uma delas se passando em um ambiente diferente.

A primeira parte se passa toda em Asgard, terra dos deuses nórdicos, onde nossos heróis encontram Denyel. Além disso, ela possui logo no início algumas passagens no Jardim do Éden, quando Adão e Eva ainda não o tinham deixado (uma das minhas partes favoritas).

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A segunda parte, a minha preferida, nos leva para cerca de 35.000 a.C., e conta a história de Ablon e Ishtar na busca pelos sentinelas sobreviventes, além de finalmente nos mostrar como Ablon capturou Metraton.

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Já na terceira e última parte, as duas partes anteriores se intercalam. Enquanto nos revela mais do que aconteceu na trajetória de Ablon, que o transformou de um soldado fiel às forças de Miguel em o líder dos Renegados, essa parte narra os acontecimentos finais da perseguição a Metraton.

“Eis mais um indício, ele pensou, uma prova de que ninguém, por mais poderoso que seja, é uma ilha, um organismo autônomo. Somos todos parte de uma trama, de uma rede cósmica invisível e energética que compõe o universo, e devemos nos conectar a seus fios.” Filhos do Éden -Paraíso Perdido, pág. 354.

Quanto a Metraton, preciso dizer que foi muito difícil torcer contra ele, apesar de eu estar do lado de Kaira. A questão é que os sentinelas (dentre eles, Metraton) foram designados por Yahweh para proteger a raça humana, o que eles fizeram nas diversas ocasiões (dentre elas podemos citar a era do gelo e o grande dilúvio) em que os anjos tentaram dizimá-la. Sendo assim, como eu poderia torcer por alguém que PROTEGEU a raça humana durante tanto tempo?

No decorrer da história, com essa questão sendo cada vez mais explorada, é possível entender um pouco mais do lado dos heróis do livro (que, apesar de seguirem ordens daqueles que nem sempre se mostram bons, demonstraram possuir um bom caráter). Acontece que os sentinelas, depois de protegerem a raça humana, passaram a desobedecer a um dos princípios deixados por Yahweh: eles começaram a interferir no livre-arbítrio dos filhos de Éden (uma das denominações dadas aos humanos pelos anjos), denominando-se deuses e exigindo sacrifícios e total devoção a eles. Que reviravolta, né?

Tenho que confessar que, inicialmente, apesar de ter gostado de ver a história da primeira parte se passando em Asgard (eu tinha acabado de ler Magnus Chase e os deuses de Asgard, que tem resenha aqui no blog, e ouvir o Nerdcast “De nórdico e louco, todo mito tem um pouco”, então eu ainda estava no clima da mitologia nórdica), eu tive sérios problemas com a leitura do livro no início. Creio que talvez eu não estivesse no momento certo para começar essa leitura em particular (comprei logo no dia seguinte que ele foi lançado e comecei a ler imediatamente, pois sabia que o autor viria para Fortaleza para fazer uma sessão de autógrafos, e gostaria de poder conversar com ele sobre o último livro da saga). O resultado disso foi que demorei um pouco menos de duas semanas para ler apenas a primeira parte, que possui cerca de 200 páginas (ou seja, meu plano de conversar com o Eduardo sobre o livro foi por água abaixo).

Porém, assim que cheguei à segunda parte e vi que um dos meus personagens favoritos de A Batalha do Apocalipse estava de volta, retomei meu ritmo de leitura e tracei as páginas que faltavam do livro em três dia. ❤

Depois de acompanhar essa saga por cinco anos, tenho que dizer que fiquei totalmente satisfeita com o livro que fecha esse ciclo. O autor conseguiu prender minha atenção (depois da primeira parte, como já foi dito) e fazer com que eu torcesse pelos personagens. Além disso, ele teve êxito em levar toda a história para um caminho plausível, de uma forma que não foi nem muito rápida nem muito arrastada, dando um ótimo ritmo para a trama. Todas as pontas que foram deixadas soltas nos livros anteriores (propositalmente) foram amarradas nesse último livro. Não é a toa que Eduardo Spohr é um dos nossos maiores nomes em literatura nacional atualmente.

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4 comentários sobre “Livro: Filhos do Éden – Paraíso Perdido

  1. Ahhh que bom que fizeram dele. Super merece. Queria ter tempo de ler tudo novamente na ordem que deveria ter sido lançado, que é “A Batalha do Apocalipse” por ultimo. Está ali, me olhando, na estante. rsrs Ele realmente é grande, pelo final da Batalha, a gente já imagina, porque aquele final explodiu minha cabeça. rsrs Pena que não falou com ele, mas ele é (ao menos era) super acessível, fala com ele pelo Twitter, ele responde assim que vê. Aceita sugestões e tem uma memória infernal, então, cuidado com o que escreve, ele sempre vai lembrar de você. rsrs
    Bjooo menonas e uma linda semana. ❤

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