A Cidade dos Azulejos

Também conhecida como a ilha do amor e a Jamaica brasileira (na verdade, tem tantos títulos que poderia competir com a Daenerys), São Luís é linda e lotada de história e cultura.

Para ser sincera, mesmo amando viajar, não faço isso com frequência, principalmente por motivos de dependência financeira, mas o que aconteceu nessa semana para mim foi fascinante e foi um momento sobre o qual vale a pena falar. Fui com a minha família e eles optaram por contratar um guia turístico e, apesar do preconceito de muitos, foi ótimo ter um percurso com o qual eu poderia visitar tudo que é mais relevante e ainda ter alguém para me contar a história e curiosidades. A desvantagem foi, claro, que eu não tive tanto tempo quanto gostaria em alguns lugares, então existe aqui fotos apressadas e informações que catei depois.

A ilha se chama Upaon-Açu, nome dado pelos tupinambás que significa “ilha grande”, e é formada por quatro munícipios, sendo um deles o que nos interessa no momento, São Luís. Foi a única cidade brasileira fundada por franceses e, posteriormente, foi invadida por holandeses e colonizada por portugueses. Os últimos foram os únicos a deixar suas marcas e não foram poucas! Com acervo arquitetônico colonial avaliado em cerca de 3.500 prédios, a cidade foi tombada pela UNESCO, em 1997, como Patrimônio Cultural da Humanidade. Grande parte desse acervo fica localizada no Centro Histórico, um lugar incrível onde todas as esquinas poderiam virar cartão postal. E foi por aí que eu comecei minhas visitas.

O Centro Histórico de São Luís possui cerca de 1400 imóveis tombados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e 3000 tombados pelo estado, a maioria com arquitetura colonial portuguesa. Infelizmente, esses prédios não são tão bem cuidados nem existem muitos projetos de restauração, o que nos dá a impressão de abandono. A primeira coisa que se nota é que quase todas as construções tem a fachada recoberta de azulejos, uma adaptação ao clima local, já que ele ajuda à esfriar os ambientes internos. Essas peças vinham de Portugal e eram pintadas à mão! Quando prestamos atenção, conseguimos ver em alguns deles a marca do pincel e as leves diferenças entre um e outro (Cliquem nas fotos, se quiserem ver um pouco melhor). Também achei muito interessante os postes que existiam ao longo do bairro. Eles são antigos (não consegui encontrar a época), mas possuem energia elétrica, é possível ver na foto que foi feita uma abertura em suas bases para a colocação dos cabos. 

Nesse bairro é onde se foca boa parte da história e da cultura da cidade, não só nos prédios, mas também nos museus que lá se localizam. Como o Palácio dos Leões, originalmente chamado de Forte de São Luís. Ele foi erguido pelos franceses em 1612, mas, ao final do século XVIII, foi destruído e substituído pela estrutura tal qual é hoje que, apesar de muitas reformas, ainda manteve as características neoclássicas. Atualmente, funciona como sede do Governo do Estado e residência do governador, ou seja, apenas uma pequena parte do prédio é própria para visitas (é importante ressaltar aqui que eu apertei a mão do governador). Lá, existe um grande acervo de mobília, tapeçarias, cerâmicas e quadros históricos, principalmente do século XIX, dos quais não pude bater foto, como é o normal em museus, mas ganhamos um livrinho com algumas imagens e curiosidades.

E, em ultimo lugar, mas não menos importante, a Catedral. Localizada na Praça Pedro II, ela foi inaugurada em 1699, mas ganhou sua fachada tal qual é hoje, com esse aspecto neoclássico e uma segunda torre, apenas na reforma de 1922. O altar, como toda a arquitetura interna da igreja, é claramente barroco, foi feito no século XVII com mão-de-obra indígena e tombado pelo IPHAN em 1954. Mas, o que eu gostei mais de ver foram os túmulos que se encontram lá dentro, produto da época das indulgências, com as quais você poderia comprar seu perdão. Para isso, você era enterrado na igreja, de forma que, quanto mais perto do altar, melhor era o seu lugar no céu.

Enfim, o lugar é lindo e extremamente agradável, não imaginava que iria gostar tanto nem que iria sonhar em voltar e rever todos esses lugares! ❤

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