Livro: The Graveyard Book (O Livro do Cemitério)

“It is going to take more than just a couple of good-hearted souls to raise this child. It will,” said Silas, “take a graveyard.” – The Graveyard Book, pág. 23.

(Tradução literal: “Será preciso mais do que apenas um par de almas de bom coração para criar esta criança. Será”, disse Silas “preciso um cemitério”.

Inspirado em “The Jungle Book” (“O Livro da Selva”), uma de suas paixões literárias de infância (quando era apenas um garoto que passava o dia na biblioteca devorando todos os livros infantis existentes até não sobrar mais nenhum que não tenha sido lido), e nas memórias de seu filho andando de triciclo pelo cemitério quando criança, Neil Gaiman escreveu, por cerca de duas décadas, a história encontrada nas páginas do “Livro do Cemitério”, que o permitiu ganhar o grande prêmio literário infantil americano, a “Medalha Newberry”.

“The Graveyard Book” (ou o Livro do Cemitério, na versão brasileira lançada pelo Rocco) conta a história de um bebê que tem sua família assassinada no meio da noite por um homem chamado Jack, mas que se salva por causa de suas habilidades de engatinhar e descer as escadas silenciosamente, indo parar no cemitério ao lado de sua casa sem ter noção de que estava se salvando do perigo. É no cemitério que ele é imediatamente acolhido pelo casal Owens, sendo a partir desse momento, conhecido pela alcunha de Nobody Owens.

“He looks like nobody but himself,” said Mrs. Owens, firmly. “He looks like nobody.”
“Then Nobody it is,” said Silas. “Nobody Owens.” – The Graveyard Book, pág. 25.

Tradução literal: “Ele não se parece com ninguém além dele mesmo”, disse a senhora Owens, firmemente. “Ele se parece com ninguém”.
“Então Ninguém será”, disse Silas. “Ninguém Owens”.

É a partir de então, com a proteção de todos do cemitério e com Silas (um homem misterioso que não está vivo nem morto, sendo o único a poder sair do cemitério) como seu guardião, que Nobody cresce no cemitério, tendo uma noção completamente diferente da dos vivos sobre o que é a morte.

Bod shrugged. “So?” he said. “It’s only death. I mean, all of my best friends are dead.” – The Graveyard Book, pág. 179.

Tradução literal: Bod deu de ombros. “E daí?” ele disse. “É apenas morte. Quer dizer, todos os meus melhores amigos estão mortos”.

Segundo o próprio autor, ele queria um livro composto por histórias pequenas, inspirado nas curtas histórias do “Livro da Selva”, mas que ao mesmo tempo fosse um romance. Assim nasceu o “Livro do Cemitério.” Cada capítulo do livro conta uma história que se inicia e se encerra no próprio capítulo, mas que funcionam como uma só para contar a história de Bod (apelido para Nobody).

Sendo assim, temos, no primeiro capítulo, a história de como Bod chega no cemitério, seguida pela história de como ele faz amizade com outra criança viva que mora perto do cemitério no segundo, sucedido pela história de como ele tem aulas com a Senhora Lupescu no terceiro capítulo, e por aí vai. Em cada capítulo, Bod vai se encontrando cada  vez mais velho, estando com 15 anos no final da história, enquanto os habitantes do cemitério permanecem os mesmos.

Porém, a história não é apenas sobre a vida no cemitério. Afinal, Bod teve sua família assassinada, sendo ele próprio um dos alvos do assassino, que é membro de uma sociedade composta por homens poderosos de todo o planeta, a “Jack of all Trades”. Por causa disso, Bod precisa aprender truques com os mortos, como desvanecer, andar em sonhos, assombrar e etc., para continuar seguro.

Mais uma vez, Neil Gaiman não me decepcionou. É incrível como esse autor tem a habilidade de criar histórias completamente lunáticas que são impossíveis de desagradar. Com uma mistura de humor, sarcasmo, terror, aflição, amor (de vários tipos diferentes) e afeição, o livro do cemitério é responsável por uma montanha-russa de emoções, daquelas que fazem você terminar o livro com um quentinho no coração, sem saber se chora ou se sorri com o fim de algo que, sem dúvida alguma, passou a ser um dos seus livros favoritos da vida. ❤

P.S.: Para aqueles que sabem inglês, recomendo VEEMENTEMENTE que vocês realizem a leitura do livro em seu texto original, acompanhados pela leitura que o próprio Neil Gaiman ( ❤ ) realizou em um tour de autógrafos do livro, que pode ser encontrada nessa playlist maravilhosa do youtube. Sério, faz toda a diferença.

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Um comentário sobre “Livro: The Graveyard Book (O Livro do Cemitério)

  1. Oie meninas! Quanto tempo hein! Estou aqui tentando visitar a todos um pouquinho. O blog de vocês está ótimo! De verdade, que bom que continuam sem parar. Amo Neil Gaiman! Esse eu não li e admito que meu inglês foge de mim como o diabo da cruz. Eu realmente tenho uma trava com inglês, especificamente, mas vou tentar. rsrs Parece ótimo livro e confio na recomendação. Não sei se viram e não sei se vale a pena, mas achei a ideia muito boa. Rebloguei um post de um projeto que pareceu interessante, lembrei de alguns blogs e o de vocês estava no bolo. O link pro site está lá. Se valer a pena e vocês quiserem, boa sorte. 😉
    Saudades e um beijo grande pra vocês. ❤

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