Livro: Mariah Mundi – A Nau dos Insensatos

“Somos donos da nossa sorte e vítimas do nosso destino.” – Mariah Mundi: A Nau dos Insensatos, pág. 239.

ATENÇÃO: ESTA RESENHA CONTÉM SPOILERS DOS PRIMEIROS LIVROS DA SÉRIE: MARIAH MUNDI: A CAIXA DE MIDAS E MARIAH MUNDI: OS DIAMANTES FANTASMAGÓRICOS

Capitão Charity e Mariah Mundi estão em uma nova missão para o Departamento de Antiguidades. Convidados pelo Marquês DeFeaux, um homem de grandes posses, para embarcar no Triton, o maior e mais rápido navio já construído, eles têm como tarefa proteger o navio e vigiá-lo enquanto ele participa d’A Grande Corrida.

Tal corrida será uma disputa até a América entre Triton e Ketos, outro navio que, segundo dizem, não pode ser vencido. O navio que cruzar primeiro o Atlântico ganhará um milhão de dólares. Para acompanhar a corrida, um navio celeste, criado por Lorenzo Zane, é posto nos céus, assustando a todos aqueles que o avistam pela primeira vez:

“Tinha-se a impressão de que os navios estavam sendo seguidos por uma gigantesca nuvem ameaçadora. Depois, à medida que os segundos passaram, Mariah distinguiu uma longa forma cilíndrica, tão grande quanto o Triton, que se aproximava como se fosse atacar. Em torno dela explodiam centelhas de raios denteados, e seu murmúrio se transformava em roncos trovejantes.” – Mariah Mundi: A Nau dos Insensatos, pág. 34.

É claro que, uma quantia tão grande de dinheiro em jogo pode despertar a cobiça de pessoas perigosas, que podem fazer de tudo para colocar as mãos nesse prêmio. Além disso, inimigos antigos podem voltar do passado para assombrar a vida de Mariah e Charity, trazendo surpreendentes verdades à tona. Como se não fosse o bastante, uma bomba é implantada no Triton, com a ameaça de explodir caso todo o ouro do prêmio da Grande Corrida não seja entregue imediatamente.

“Caríssimo DeFeaux,
Se você não colocar todo o ouro em um bote salva-vidas, que deverá ser deixado à deriva à meia-noite da terceira noite de sua viagem, meu agente explodirá, sem aviso, o Triton. Como prova de nossa determinação, escolhemos um passageiro entre todos, e ele será assassinado. Seu nome é Mariah Mundi.” – Mariah Mundi: A Nau dos Insensatos, pág. 84.

Para se protegerem das diversas desventuras que poderão ocorrer ao encontrarem tais inimigos, Mariah e Charity usam trajes completamente feitos de Teia de Aranha, uma invenção criada pelo Departamento de Antiguidades:

” – O que é teia de aranha? – ele (Mariah) perguntou.
– Não sei ao certo – as palavras de Charity mais pareciam um bocejo. – Foi criada para o Departamento há alguns anos. É a prova de facadas, protege contra as balas e não pega fogo.
(….)
– O buraco de bala no seu paletó desapareceu; é como se nunca tivesse existido – disse Mariah.
– Por isso se chama teia de aranha. Rompa a teia de uma aranha e, no dia seguinte, estará tão perfeita quanto antes.” – Mariah Mundi: A Nau dos Insensatos, pág. 44.

Por ser um livro que se passa em um ambiente completamente diferente do ambiente dos livros anteriores, o livro acaba trazendo vários personagens novos, como Carlos Magno, um ventríloquo responsável pelo entretenimento do navio; Shanjing, o boneco de Carlos Magno que possui poderes sobrenaturais; Tharakan, capitão do Triton; Lorenzo Zane, um cientista e criador do gerador Zane, um motor a vapor potente o suficiente para tornar Triton o vencedor da Grande Corrida; Beatriz DeFeaux, filha do Marquês DeFeaux;  Casper Vikash, guarda-costa da família DeFeaux; Ellerby, um dos tripulantes do navio; Cartáfilo, capitão do navio Carasbranda; Markesin, um antigo inimigo do Capitão Charity; dentre vários outros.

O terceiro livro é, sem dúvida, o mais dinâmico da série, alternando o foco dos capítulos entre Mariah e Charity, que constantemente se encontram em situações de perigo, ficando sempre a beira da morte, o que faz com que seja difícil largar o livro até que se chegue ao último capítulo, que, infelizmente, deixa muito a desejar.

O último livro da trilogia é, porém, por falta de palavras melhores, decepcionante. Nos livros anteriores, muitas vezes o autor cita acontecimentos que ocorreram no passado dos personagens mas que, em nenhum momento, foram contados nos livros. Porém, no terceiro livro, esse fato ganha uma maior ocorrência, deixando várias pontas soltas no caminho.

O autor insiste em trazer problemáticas novas que nunca foram mencionadas anteriormente, passando a sensação de que ele não consegue concatenar os assuntos dos livros anteriores com os do último livro.

Além disso, outro elemento que incomoda no terceiro livro é o fato do autor ignorar vários fatores e praticamente todos os  personagens apresentados nos livros anteriores, como Sacha, uma personagem de extrema importância nos dois primeiros livros, mas que sequer é citada no último volume da trilogia. Já os personagens retratados em “A Nau dos Insensatos” são, muitas vezes, tratados de forma que dão ao leitor a sensação de serem importantes para, logo em seguida, serem descartados sem qualquer cerimônia.

Por tais motivos, Mariah Mundi: A Nau dos Insensatos, é o pior livro da trilogia. Sendo assim, se você se interessou pelos dois livros anteriores, através das resenhas publicadas anteriormente aqui e aqui, eu recomendo que você pare sua leitura em “Mariah Muni: Os Diamantes Fantasmagóricos” pois, eu posso lhe garantir, com toda certeza, que o último livro da série não acrescentará nada ao que já foi escrito até então.

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